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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Baile

Os pés descalços e o baile no olhar de outros
a luz que vem cegando

o frio que toma o corpo
e o corpo que se divide

em voláteis encantos

(a bebida quando aquece
também calafria

pois assim se bandeja corvo,

assim que se rompe o dia).


assim baila o corpo
e cintila na lousa o pouso da maresia.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Andando em círculos

Para Erinha Ribeiro

Te ando pelos becos,
nas esquinas dos desejos,
avenidas, pontes e ruas...
Desertas pedras do silêncio,
dos segredos encruzilhados,
em dedos, em mãos,
esparramados.

Te ando rondando o espaço,
seguindo o rumo dos passos;
te ando sinuoso,
insinuando laços.

Te ando te ando te ando...
E de tanto andar-te
me tenho andado
em mim mesmo
procurando meus passos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Temer idade

Cacos de sim
Mão
Barca
Morte



O norte
Espreita oriente vindo
Volta
Corre

Corre-dor

chamas


Encobrem o leito leviano
Explode carne de vidro o dentro corte
Soprano
Abana

Cacos de
Sim Mão Barca Morte Mão
Abre fenda
Queda
Tenta
Sangra Falta
Sangue à vista
(A aqui a vista
Salta foge
Retorce ali aqui
A lista a sorte)

A mão
Sim
Morre

Barca louca mansa brasa — tinta.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

AS

Para Gláucia Machado

É cedo

...........É como pluma burilando
..................................................o ar........
..............Voltas e dança..........

Tempode
c a n t a r

........................................
Sem previsões

...............Astros ou crenças......................

É sempre cedo

////////////É hora já\\\\\\\\

.............................................Tarda tudo..........
///////////////////////O que a tudo
..............................................escapa..........

----------Embarga palmos-----------

Espaços
...........................................................e
lar.........

O mais, nem cá nem temos
Tempo de temer

\\\\\\\\Somos de viajar////////

\/\/\/\/\/\/\/\/\/\/\/\/\Somos de colher
====================Porque há semente

Antes de haver
--------------A coisa há----------------

.........E coisa é palavra de olhos fechados.........


É
também o cheiro

////////////////Guardado nos erros.........


No bolso
\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\Na pele.......

////////No verso de olhos e lentes////////


No calcanhar




...///\\\...A coisa há...///\\\...

.

Minha casa

eis que me vejo no afago
na casa repartida
em tralhas poeiras e assentos

eis que me contento
quando me vejo
outro
em toda a casa

(pele sobre a ferida)



eis que assim me vejo

e não suporto o peso
nos ombros
quanto teimo
casa sem dono
casa carcomida
ferrugem
fuligem
e sopro

mas eis que também me convido

abrigo
quarto aquecido
tempo de rever lembranças

casa de sempre
casa de balanço e rede
que se deixa dormir
como esquecida

casa que me tira o peso
dos olhos turvos

e dos ombros largos

casa que me vejo
rotundo e calmo
quando enfim me lembro
da casa-retrato