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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Para além da cegueira

para além do que vejo,
lanço-me flecha
(ferir o silêncio, romper o asfalto);
sinto-me pedra.
para além da queda,
ergo-me pássaro,
e passo a passo,
varro-me poeira.

para além do que vejo,
vejo o silêncio
ferir o verbo, romper concretos,
sentir-se cego.
para além da cegueira,
ergue-se um verso:
de areias e pedras,
nascem desertos.

para além do que vejo,
além, meu antiverso
(ferir o nexo, romper segredos);
sinto-me feto.

para além do vôo,
entrego-me pássaro,
e desfaço
espaços entre versos.

Um comentário:

gláucia machado disse...

Alegria encontrar você neste espaço!
Para além dos versos, a permanência atenta e forte.
Beijos!