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domingo, 11 de janeiro de 2009

Nunca mais

cais e nada

segredando vozes ao relento
entre ondas e conchas, vou

Navio que volta

traz

end
o

cortejo

uma bala
no bolso do pobre homem
— falsa esperança —

(
flash de olhos

amor

tecidos

)

a doce bala cola na embalagem envelhecida,
úmida.
Sor

vida
de ontem.

Maciez e gozo

: menino no cais:

duvida
e duvidando espera um pouco mais a vinda
de outras varridas almas
socorrer-lhe a pena
ou lançá-lo como pedra
ao
mar
(como um sopro pelas costas, um vento à janela)

ou
de volta ao cais?...

: “nunca mais”.

5 comentários:

Anônimo disse...

que poema doido...

estranho, não sei dizer se gostei ou não.

Bárbara disse...

Há momentos em que tudo perde o sentido, os navios chegando e partindo, as pessoas, uma bala úmida dentro do bolso, tudo. Enxergamos as coisas como se a nossa alma tivesse descolada do corpo, aí então até a vida já não tem significado algum. É possível mesmo que caminhemos calmamente na direção do mar e da morte, mas seguimos vivendo, unicamente por enfado.

André disse...

Tantas imagens... Vou ter que pensar melhor para saber se eu entendi direito...
Aliás, vou ler de novo, hehehe.

Bruno Ribeiro disse...

Bom, também considero este poema um dos mais emblemáticos que já escrevi, agradeço sinceramente a todos os comentários, são, de fato, muito importante.
Ao anônimo, pela sinceridade anônima. Ao André, pela leitura também sincera e pela possível releitura, mas, agradeço principalmente à Bárbara, por ter compreendido tão bem (eu diria melhor até do que eu mesmo) o que pretendia (ou não) transcrever através dos versos (?).
Apenas, obrigado.

Elaine Rapôso disse...

Bruno, seu poema me toca de uma maneira legal. Acho que ele cumpre, pois, a função de toda poesia - boa poesia - que é a de sensibilizar/despertar o outro: "O poema deve ser como a nódoa no brim:/ Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero" (Manuel BAndeira, In: Nova Poética). Embarcando em seu navio, que parte para "nunca mais", só consigo pensar em Cecília Meireles (In: Beira-Mar): "E até sem barco navega/ quem para o mar foi fadada". Fico feliz por ver o quanto você escreve bem e, principalmente, fico grata por você dividir sua poesia comigo, conosco, com todos...