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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aroma e tato

Sob a pele, manchas de tinta
Tua única pele revolvida
No vermelho querendo vida

Em tardes de poeira
E assentos
Quando mangueiras em ruas de barro
Querem chuva,
Escapa-te outro tempo
Que em silêncio segreda
O pêndulo de antigos
Erros.

Sobre a tinta querendo sangue
A poeira se assenta
E encorpa
Aroma e tato

E sutil reveste
A pele já escassa —
Dormida.

Agora tu sabes o que te preenche
E a cor e o cheiro.
Não sabes da dor,
Do silêncio,
Do nome que há por dentro
Do desejo sem nome
(Tormento
Presente
De antes e sempre)

Agora tu sentes.

Mas agora teu nome é Verbo
E é Palavra o que te veste.

3 comentários:

gláucia machado disse...

Muito boa essa passagem de "alguém" para palavra.
(engraçado... me deu vontade de ver seus versos impressos, tinta preta no papel branco - um livro está sendo construído, não é mesmo?)
Beijos!

Bárbara disse...

Denso como sua barba
Profundo como seus olhos
O Verbo se transforma em ti

Bruno Ribeiro disse...

Obrigado, Gláucia. O livro está sim sendo construído. E este é meu laboratório.

Bárbara, fico feliz pelas palavras. Parabéns pelo seu blog. Muito sensual e bonito.

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